Falling To Pieces

Novembro 9, 2009

Sim, perdi o Faith No More em Porto Alegre… lástima, lástima gigante. Prattcamentt um atestado de amarildice suprema. Fazer o quê? Vi os caras na época do lendário The Real Thing, quase Angel Dust. Vou ficar com aquela memória, do FNM jovem e com Jim Martin na guitarra ainda.

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Pronto, agora com a vinda em massa de bandas ícones dos anos 90 pro Brasil os pensadores já decretaram o nascimento do revival 90’s (que já ensaiava seu início a horas) e que todas as bandas que emulavam os anos 80 devem mais é se enterrar.

Ai, ai, ai…

Se há uma coisa que os humanóides aparentemente não aprendem é com seus próprios erros. Os anos 90 já foram um revival dos 70. O que a gente pode chamar isso agora? “Salvação” dizem eles…

Tem tanto texto sendo escrito ultimamente sobre a falta de bandas boas e novas (aqui em Porto Alegre em especial), o fato de que ninguém mais vai em shows de bandas independentes (só de covers ou bandas “de fora”… o que é um revival dos 90, de certa forma), produtores/músicos mordidinhos por não ganharem um pedaço do bolo e que se voltam contra o sistema que eles mesmos ajudaram a projetar, um bando de gente feia e sem noção falando merda pelos cotovelos sem perceber que estão dando tiro no próprio pé (ahn… até aí acho que não é privilégio de uma época apenas) e por aí vai. Acho que Porto Alegre conhece muito bem seus podres. Felizmente alguns deles estão começando a ser desenterrados e seus corpos exibidos em praça pública. Gostaria de poder ter a cabeça de alguns para pendurar nos postes para servir de aviso. Chega de sabonetismo. Cada um na sua, ok, mas não venham me encher o saco.

Sabe o que me deixa de cara? O mesmo povinho que uns três anos atrás boicotava shows da SonicVolt hoje vem me dizer “pô, falta uma banda como a SonicVolt hoje em dia. Vocês eram foda! Rockão!”. Na boa, VÃO À MERDA! Vão ouvir seus próprios peidos e morram em paz.

Quanto às bandas novas, como decretadus est o revival dos 90s, a não ser que você soe grunge, shoegaze ou “alternativo-piradão”, suas chances continuarão as mesmas de sempre:  zero.

Assim, cada um faz o que bem entender! Tem gente muito boa fazendo esse som que agora vai virar de novo coqueluche da rapeize há muito tempo. Esses evoluíram dentro de suas propostas e mantiveram-se fiéis à uma personalidade/identidade/coerência musical. O que me preocupa é a enxurrada de perdas de tempo e copycats que virão. Certamente alguns joãos-bobos necrófilos dos anos 80 vão se transformar em grunge de uma hora pra outra. Sei lá… cada um com seus problemas.

Enfim, desculpem o mau-humor. Mas eu tinha que botar isso pra fora finalmente. ;)

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Ouvindo agora: The Sun, por Soap&Skin e Elevation, por Hildur Gudnadottir

History Repeating

Agosto 17, 2009

Revival dos anos 90 já começou, caso não tenham ainda notado. A única diferença é que ainda estamos no “começo” deles. O grunge ainda não reviveu efetivamente, estamos naquela fase intermediária dos anos 80 com 90, em que as bandas covers tomaram conta do mundo. Aqui em Porto Alegre o que mais se vê é cartaz de bandas covers… uma loucura… 5toda semana tem show do Led, Hendrix, Guns, Metallica, Red Hot, Stones, Beatles, Roberto Carlos, Nirvana, The Cult, Ramones, Jethro Tull, AC/DC…

Sei lá, conheço gente que está em bandas covers e tal… na real, não é pra mim. Em um momento em que as bandas de material original estão relegadas ao ostracismo, caboclo tenta viver ou tocando cover ou botando músca em festinha bombadinha. Discotecar é legal, mas jamais irá superar TOCAR um instrumento de verdade, cantando músicas PRÓPRIAS. Ao menos para mim… sou um romântico (vulgo, abobado) mesmo…

Andam Dizendo

Julho 6, 2009

Essa eu tirei do blog Fora de Série

Do extinto seriado Studio 60.

Sim, eu defendo o diploma de jornalismo.

obs: o “espressão” ali da legenda dói e queima a retina…

Beat It

Julho 2, 2009

Batendo em cachoro morto, em duas partes.

Enquanto isso  na sede da Legião do Mal:

Hoje a coluna do Juremir Machado no Correio do Povo está PERFEITA. quero ver se a reproduzo aqui na íntegra quando achar na internet. O cara falou tudo que eu gostaria de ter falado sobre a morte do Máiko. Sem babação de ovo e “melosidades” estúpidas. Muito menos esse endeusamento a um sujieito que a uma semana atrás causava ojeriza em todos e era conhecido como pedófilo, esquisitão e decadente. De repente todo mundo o acha o cara mais cool e injustioçado da face da Terra.

Parabéns Juremir!!

Hoje caiu na net a música nova do Alice In Chains, disponibilizada peloa própria banda mediante cadastro em seu site (www.aliceinchains.com).

Estou a ouvir nesse exato momento que escrevo. Riffão pesado e melodia deprê. Estrofe calminha com vocal dobrado e Cantrell cantando junto com o vocal novo o tempo inteiro. Mais riffão. Estrofe de novo. Refrão gritado com riffão. O tal Duvall não tem uma voz marcante como a de Layne, mas não compromete também. Refrão de jogral, cada um canta um pouco e os dois cantam juntos no final fazendo “aaaaayyaaaaayaaaa”. Mais refrão juntinhos, com “aaaaaayaaaaayaaaaa”. Riffão inicial de novo com guitarrinha psicótica. Estrofe calminha… (putz, tá começando a ficar repetitivo demais) Grito e riffão. Duvall sozinho com voz dobrada… Cantrell chega junto. Jogral de novo e “aaaaayyaaaaaaa”. Refrão juntinhos e mais “aaaaayaaaaayaaaa”. Tentativa de ressucitar o vocal do Layne…. mais riffão…  cansei de acompanhar minuto a minuto…

Enfim, muito tempo se passou desde o mazzomeno disco do cachorro das três pernas. Não dá para julgar nada por apenas essa música, mas creio que não foi uma boa escolha para primeiro single. Não tem um refrão marcante, o riff é massa, mas tenho impressão de já tê-lo ouvido umas mil vezes nos últimos anos (desde que o Alice In Chains se morió) e nos álbuns solo do Cantrell e, enfim, pra variar, toda a apreensão e ansiedade em torno da volta dos caras acaba também jogando contra. Sei lá… esperemos…

Enquanto isso na Sala de Justiça:

O ex-árbitro de futebol e comentarista da Rede Bandeirantes Oscar Roberto Godói xingou o goleiro Felipe, do Corinthians, durante a transmissão do jogo da final da Copa do Brasil. Aos 49 minutos do segundo tempo, com jogo empatado em 2 a 2, o goleiro Felipe caiu e aparentemente tentava gastar o tempo. Godói então falou: “Vai ficar no chão o filho da p…!”.

O xingamento aconteceu depois da confusão entre os jogadores do Corinthians e do Internacional e que resultou na expulsão de D’Alessandro. O árbito concedeu seis minutos de acréscimo por descontar o tempo de paralisação. E, já no tempo adicional, quando o Corinthians tentava tocar bola para segurar o empate, Godói acabou xingando o goleiro corintiano.

O comentário foi feito ao lado do apresentador Luciano do Valle e do comentarista Neto. Coincidência ou não, Godói pouco falou até o final da transmissão da Band sobre o campeonato do Corinthians e a comemoração dos jogadores. Nem Godói, nem os apresentadores comentaram o assunto depois ao vivo.

Fonte

Nobody Weird Like Me

Abril 29, 2008

Talvez essa notícia não tenha sido amplamente divulgada fora dos estados do sul do país, então vale a menção.

Padre Baloneiro <- História

Pois então, o Padre Adelir de Carli resolveu que seria uma boa idéia quebrar o recorde mundial de viagem pendurado por balões à gás. Mais: não foi a primeira vez que o “aventureiro” embarcou na brincadeira. Dessa vez, o objetivo era sair de Parananguá (PR) até Dourados (MS).

Ok, até aí tudo bem. Existem loucos muito mais loucos que ele fazendo loucurinhas loucas para quebrar recordes de estupidez humana. Legal, bacana e divertido. Porém, para seu infortúnio, acabou se acidentando e não concluiu a viagem.

Nesse momento fica o sujeito pensando “pô, coitado…”, aí vem a seguinte colóquio:

- Por que o padre não levou um celular ou gps, isso teria…

- Ele levou, porém, quando tudo estava dando errado, ele ligou pelo celular para saber como é que funcionava o gps, pois não sabia.

- Putz, mas tá, ok, vamos lá, talvez fosse ingênuo, mas um colete de salva-vidas ou um bote inflável na mochila?

- Não, não levou nada. Apenas uma roupa térmica.

- Mas é um MANGOLÃO mesmo.

Cada vez que o caboclo tentava ter pena do desastre, uma nova notícia chegava mostrando o quão despreparado e imprudente foi o tal padre. Resumo da ópera, até o presente momento ele foi não encontrado e isso já faz mais de semana. Então, pode-se presumir que “já eras”. Descanse em paz…

OU NÃO…

Obviamente, a cachorrada esperta como é para essas coisas não deixou por menos. Teorias já circulam pela internet. A mais provável e correta é a seguinte:

Mais um brasileiro na ilha do Lost.

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Ainda dentro de “weirdices”, o caso Isabella continua sendo um circo de imprensa. A tal reconstituição teve esquema de guerra. Porém, o povo já está de saco cheio da história. Poucos populares foram ao prédio acompanhar o teatro. Já a imprensa foi em peso. A quem está interessando mais essa história, eu pergunto? quem está lucrando na desgraça alheia? Com todo o respeito que tenho pelos profissionais de imprensa, mas quem sabe uma abordagem mais isenta e menos invasiva não fosse melhor ao invés desse Big Brother todo? Em tempo, como disse no post seguinte, é complicado quando uma história chega aos ouvidos já pré-julgada, mas o esquema é que dessa vez é muuuuito difícil não crer que o casal lá não tenha feito a merdalhança. Para isso devem ser julgados e condenados pela justiça de Direito, se assim ficar comprovado nos autos do processo crime. Sabemos que às vezes o pessoal escapa por questões meramente “técnicas” (caso dos playbas que tascaram fogo naquela índio em Brasília: “a gente não sabia que era um índio”, bate o martelo, “ok, vocês não sabiam, tejem liberados”), mas dessa vez… acho que não, hein?

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Em tempo, para terminar tocando fogo no blog, há horas queria fazer um post sobre o Juremir Machado da Silva (jornalista, escritor e colunista do jornal Correio do Povo – RS). Admiro-o às ganha. Recentemente foi um dos únicos “públicos” que teve coragem de peitar uma mulitdão de gente que é contra as cotas nas universidades. Transcrevo aqui algumas passagens de suas colunas a respeito do assunto que, diga-se, eu concordo. Sue me. ;)

Ah, os grifos são por minha conta. ;)

O paradoxo das cotas – Juremir Machado da Silva

Jamais alguém duvidou da originalidade brasileira. Não me canso de repetir isso. É o meu lado original. Os gaúchos são brasileiros (embora com algumas ressalvas e um pouco menos de flexibilidade na cintura). Logo, os gaúchos são originais. Porto Alegre, por exemplo, tem o mais belo pôr-do-sol do mundo. Falta apenas convencer o mundo dessa originalidade. Ou ser mais preciso: Porto Alegre tem o mais belo pôr-do-sol do mundo sobre o Guaíba. Prefiro esta última formulação. É muito mais original. Agora, num assunto muito sério, as cotas nas universidades, também estamos querendo ser originais. Ou malandros. Como qualquer um sabe, o sistema de cotas reserva vagas em universidades públicas para indivíduos de grupos sociais historicamente prejudicados.

Optou-se por reservar vagas por critérios étnicos e para estudantes oriundos de escolas públicas. Depois do vestibular da Ufrgs, porém, muitos estudantes resolveram entrar na Justiça por terem ficado de fora mesmo alcançando índices de rendimento mais altos do que aqueles obtidos por cotistas selecionados. Parece até piada de português. Esse é o princípio mesmo das cotas. Com índices superiores aos dos concorrentes, ninguém precisaria de reserva de vagas. Elementar. Trocando em miúdos, os defensores do mérito acima de tudo estão, mais uma vez, tentando melar o sistema de cotas. Mas ele é necessário. Basta dar um passeio nas universidades gaúchas para ver que nelas praticamente não há negros.

A questão das cotas para estudantes oriundos de escolas públicas poderia ser vista até como mais injusta. A escola pública é deficiente porque os governos não lhes dão as condições de serem muito boas. Então se deve garantir ao seu egresso a possibilidade de chegar à universidade mesmo sendo pior. É uma forma de absolver os governos da incompetência e do desinteresse pela educação básica. Em vez de se elevar o nível das escolas públicas, diminui-se o nível de exigência na entrada para o ensino superior. Claro que as cotas étnicas também expressam a incompetência dos governos em resolver problemas sociais históricos. Mas, ao mesmo tempo, elas permitem enfrentar o racismo dissimulado da cultura brasileira e começar a pagar uma dívida secular e vergonhosa. Não há outro jeito. Sem cotas, os negros continuarão excluídos.

Há uma forma muito simples de se eliminar a necessidade de cotas: garantia de vagas em universidades para todos os estudantes que forem aprovados num exame de saída do ensino médio. Na França é assim. Pode-se fazer isso com ensino público e gratuito para todo mundo ou com um sistema misto como o nosso, concedendo-se bolsas em instituições privadas para o excedente das públicas. A limitação de vagas, a serem disputadas em vestibular, não é o sistema do mérito, mas o sistema da hipocrisia. A sociedade brasileira, em lugar de criar condições para que todos os seus jovens cursem uma universidade, algo que custa caro, manda que eles se engalfinhem e decidam na base de uma competição falsamente meritória. Quem perde é o país. A sociedade lava as mãos bem sujas.

Somos originais. Queremos sempre o caminho mais longo. Ele nos parece tão curto. É mais interessante do que pagar a conta da educação completa de todos os nossos jovens. Não há mérito algum em vencer um candidato que nunca teve condições de preparar-se para a competição.

Maldades meritórias – Juremir Machado da Silva

Continua a polêmica das cotas. Recebi muitos e-mails contra e a favor das cotas. Eu sou totalmente contra a reserva de vagas para uma classe social ou para uma etnia. Não posso aceitar que um mesmo grupo social reserve para si 99% das vagas de certos cursos. É o que acontece com os brancos ricos, que, desde sempre, têm reservadas para si a quase totalidade das vagas em cursos da Ufrgs como Medicina, Direito, Odontologia. Quantos negros e pobres estudam Medicina na principal universidade pública do Rio Grande do Sul? A originalidade brasileira é esta: os brancos ricos podem estudar inteiramente de graça nas melhores universidades públicas. Faz sentido. Afinal, eles precisam economizar para ir à faculdade pilotando um carro do ano.De onde saiu a idéia estapafúrdia de que a universidade tem de ser reservada aos ‘melhores’? Como se faz um ‘melhor’? A universidade deve receber todos aqueles que atingirem um rendimento mínimo que possa ser chamado de aprovação. Ela deve estar aberta aos melhores e a todos aqueles que possam ser melhorados. O vestibular para disputar um número específico de vagas, segundo uma ordem de classificação dos candidatos, foi uma das maiores maldades inventadas pela ditadura brasileira. Significou a reserva quase total das universidades públicas para os brancos ricos, especialmente nas faculdades de ricos, como Medicina. Existem as faculdades de pobres (Pedagogia, Ciências Sociais, as licenciaturas em geral), onde se pode encontrar um número maior de pobres e de negros, o que serve para melhorar as estatísticas do escandaloso e discriminatório ensino público brasileiro. Os brancos ricos são os vampiros da universidade pública brasileira. Mamam nas tetas estatais e depois, se duvidar, passam a defender o Estado mínimo.

Se entendi bem, entraram na Ufrgs, graças à política de cotas, 21 negros (em mais de 4 mil vagas). É extraordinário. Uma terrível ameaça para a hegemonia branca. A introdução de cotas para escolas públicas esqueceu-se de considerar que existem escolas públicas de brancos ricos (Aplicação, Colégio Militar). Resultado: alguns maus alunos brancos ricos desses estabelecimentos ganharam vagas como cotistas. Como sempre, houve um efeito perverso e os brancos ricos levaram a melhor. O Brasil precisa de universidade para todos, não de cotas. Essa é a segunda grande maldade depois do vestibular. Tivemos a maldade da direita. Agora temos a da esquerda. É a operação Pilatos. Os adversários das cotas citam a Constituição brasileira. É um sofisma. A igualdade de acesso, constitucionalmente prevista, nunca foi cumprida, visto que a reserva para brancos ricos, sob cobertura de um pretenso mérito, predomina. A universidade pública brasileira é um sistema de reprodução da desigualdade.

Não se trata de um jogo de futebol. Só pode haver decisão por mérito quando há igualdade de condições na preparação para a disputa. Uma idéia razoável seria fazer os brancos ricos da Ufrgs pagar pelos estudos. Sobraria dinheiro para abrir novas vagas para negros pobres. Negro bom para as nossas elites continua sendo aquele que não tenta cobrar qualquer indenização pelo que os brancos lhes fizeram no passado. Somos racistas universalistas. Não queremos políticas que alimentem o ódio racial. Preferimos que ele continue sendo alimentado pela exclusão que gera um universo negro dos sem-futuro.

Finalmente

Nunca Generalize – Juremir Machado da Silva

Eu já fui acusado de muita coisa negativa. Até do que não é negativo. Por exemplo, homossexual. Não sou. Mas qual o problema em ser? Quando me chamaram de gremista, eu me irritei. Mas não é infamante ser gremista. Minha mulher é gremista. Já me criticaram, por exemplo, por generalizar. Disseram-me bem assim: nunca generalize. Generalizar é um erro. A minha resposta é simples: isso é uma generalização. Em inúmeras situações, generalizar é essencial. A ciência funciona com base em generalizações. Observa-se um fenômeno ou um conjunto de comportamentos e tira-se uma conclusão com valor geral. Sob certas condições. Há confusão entre generalizar, exagerar e totalizar. Quem generaliza, em geral, não totaliza, mas pode exagerar. Num ’sempre foi assim’ pode haver totalização, exagero ou, dependendo do contexto, generalização. O problema não é a generalização em si, mas a generalização improcedente, indevida, falsa.
A generalização pode ter um efeito retórico sem ser falsa. Um leitor me envia uma questão a ser analisada. Segundo ele, nenhum candidato ao vestibular da Ufrgs foi excluído, com nota maior, em função da entrada de um cotista com nota menor. Ele destaca: nenhum. O raciocínio dele é o seguinte: quem não entrou, foi excluído, na categoria em que estava concorrendo, pelos que tiraram nota mais alta. Em outras palavras, haveria, fixado em edital, um número de vagas em disputa para não-cotistas e outro número de vagas para cotistas. Eram dois concursos num só. O leitor antecipa o contra-argumento de que as vagas para cotistas foram deduzidas previamente do total das vagas existente antes das cotas. Para ele, isso só aumentou o índice de exigência numa das categorias do concurso. Mas, mesmo que vagas tivessem sido acrescentadas, reclamações aconteceriam de parte de quem ficasse de fora, pois é a própria divisão em categorias que está em discussão. Ou seja, a regra do jogo.
Haveria aí uma generalização? Conforme alguns advogados e juristas, só pode haver ação afirmativa quando ninguém é prejudicado por ela. Em que sentido alguém é prejudicado quando se inscreve para uma categoria de um concurso e quer ser aprovado em outra? A resposta encontra-se em uma totalização (não uma generalização, ou uma generalização indevida) encoberta: a de que o mérito (maior número de acertos num conjunto de provas) deve prevalecer sobre qualquer outro critério de escolha. A base da comunicação humana é a generalização. Jornalistas, críticos literários e de cinema, por exemplo, adoram listas do tipo ‘os dez melhores filmes’, ‘os cem melhores livros’ e outros chutes do gênero. É a generalização do gosto de alguns. Em geral, por impossibilidade concreta, sem o conhecimento de todo o material existente em cada categoria julgada.
Um autor excluído de uma dessas listas poderá um dia sentir-se prejudicado e entrar na Justiça pedindo reparação. Essas classificações generalizam, porém, não totalizam. Nas argumentações contra as cotas há muitas generalizações: quem teve melhor escore será necessariamente melhor profissional ou quem entrou com rendimento menor não poderá ser um ótimo profissional. Outra generalização é afirmar que o melhor para a sociedade é sempre selecionar quem teve o melhor rendimento num momento específico. Será mesmo? Aqui vai uma generalização definitiva: o vestibular não é um processo de seleção, mas de exclusão. O resto é papo.