Chain of Fools

Julho 18, 2008

“Tem que ter pena de morte!”

“As leis são muito frouxas! Tolerância zero com bandido!”

“O Brasil não vai pra frente porque quem tem que ser preso está por aí solto e rindo! Tem que prender esses cafajestes!”

Essas são apenas algumas frases comuns em quaisquer periódicos nacionais e conversas entre amigos ou familiares. O sentimento de impotência social frente ao crescimento progressivo da criminalidade que não tem medo nenhum de condenação.

Aí ocorre o que? O que? Finalmente são pegos os verdadeiros peixes grandes da história. Os graúdos. Os papa-finas. De repente, não mais do que de repente, algemas são utensílios desnecessários e dignos de bárbaros não-civilizados, a Polícia exagera no uso de grampos telefônicos e exagera na condução de suas ações ao fazer tudo em segredo. Sinceramente, eu não entendo; aliás, entendo muito bem, mas custo a acreditar na ESTUPIDEZ desse povinho. Deve ser porque DESSA VEZ o preso não é um PPP (pobre, preto e perdido) e sim “um de nós”, alguém com força financeira, alguém que tem din-din no bolso e não está nem aí. A classe média se viu apavorada, talvez por se ver algemada logo logo por conta de suas tramóias diárias. A pedra passou bem perto do tetinho de vidro dessa gente que não sabe o que fala e repete bobagens para parecer bem na foto.

Ontem vi uma entrevista de um Procurador no Globo News que, se não fosse a polêmica do momento, seria a melhor tirada de todos os tempos. Perguntado sobre a prisão preventiva, se era realmente necessária nos casos dos banqueirinhos, o sujeito falou:

- Veja bem, em qualquer país sério, alguém que oferece subrono a um delegado federal de um milhão é considerado bandido e é preso.

Nem os apresentadores agüentaram e caíram na risada com a suprema ironia do profissional.

Eu me pergunto, para quem as algemas? “Eles” respondem: para quem oferecer resistência à prisão. Olha, até onde eu me lembro, ninguém nunca reclamou antes. Se os filmes e desenhos animados de bangue-bangue não mentiram para a gente quando éramos crianças, bandido tem que ser algemado e, se possível usar roupa listrada preta-e-branca, com uma bola de ferro amarrada nos pés. Agora que palhaçada é essa, Dna Classe Média e Alta?!

Mais, lendo o Correio do Povo hoje, vi que está sendo proposta uma lei para que esse tipo de operação pela Polícia Federal não seja mais conduzida às escuras, ou seja, é que nem a piada do vírus: “Por favor, abra esse email e instale o arquivo vírus.exe em sua máquina”. Ah bom, se tudo vai ficar às claras, pois a “sociedade quer tudo transparente”, teremos acabado com o problema da superpopulação nos presídios e cadeias Brasilzão afora. o mais engraçado é que na primeira prisão a mesma polícia foi elevada às glórias e honrarias pelo povo. Agora são considerados “ardilosos”.

A minha idéia de ir morar no Canadá apenas se reforçou.

Por sinal, tenho uma pergunta aos leitores jurídicos desse blog, que tipo de habeas se pede para não comer a mesma comida dos demais detentos? Habeas Culinarius? Habeas Pratofeitus?

Em tempo, acho que essa foto diz tudo que precisamos saber sobre todo esse assunto.Coletiva de imprensa de um indiciado que ri à toa.

Agora, engraçado mesmo é assistir o noticiário, ver toda essa pajelança e trocar o canal para a MTV, onde uma apresentadora de cabelo rosa apresenta uma matéria “muito legal” sobre a nova onda dos descolados de usar óculos escuros com armações coloridas, que é pra dar “uma alegria, uma cor, nesse nosso mundo caótico”.

Talvez a polícia federal devesse mesmo abandonar o velho Rayban e palito de dente e comprar chiquetérrimos óculos de armações coloridas-berrantes e chupar balinhas de ecstasy.

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