Inner Self
Junho 10, 2008
Num exercício de autocompreensão, resolvi me perguntar por certas coisas que escrevo ou comento aqui no blog. Conceitos aparentemente vazios que podem ou não ter algum sentido. Palavras que voam dedos afora por voar.
“Música sem rede de segurança”
Esse é um termo que eu gosto muito de usar quando quero falar de música sem comprometimento com tendências ou modas. Mas quem disse que a própria moda pode não ter rede? No final das contas, acho que tudo se resume em “honestidade”. Não aquela coisa de “eu sou artista, eu faço arte, ninguém me entende”, mas de soar legítimo e acreditar no próprio valor, bem ao contrário, por exemplo, das bandas emos que, ao invés de abraçarem o estandarte chorando, juram de pé juntos que não são emos e que a franjinha, a pintura nos olhos e o beicinho tremeliquento são apenas reflexo de seu “eu”. Na minha época eram os grunges, de repente todo mundo dizia que SEMPRE usou camisa de flanela e bermudão com coturno. Sim, lembro das fotos da primeira série onde todos os meus coleguinhas e eu usávamos coturno… Não há problema em seguir uma estética, mas não tente dizer que “sempre fui assim”. Semana que vem teu guarda roupa mudará.
Musicalmente esse papo pode ser levado também para a própria fragilidade e exposição do compositor ou músico. Vejamos os “antigos”:
Beatles: começaram praticamente coma uma boy band da época, mas desde sempre deixaram claro, seja por seu humor, seja pelo fato de não criarem músicas simplórias com sorrisinhos de galã, eles nunca deixaram de explorar e aumentar seu alcance. A época ainda era de inocência e muito deve ser visto com essa perspectiva, mas a mudança é radical quando levamos em conta que de “She Loves You” e “I Wanna Hold Your Hand” de repente virou “A Hard Day’s Night”, “Baby’s In Black”, “Help!” para “Eleanor Rigby” e “Strawberry Fields Forever” e “I Am The Walrus” até “A Day In The Life” e “Let It Be”. Não estou falando de uma evolução técnica/musical, mas de visão de mundo e análise pessoal por um ponto de vista sem medo de se expor e cada vez mais subindo o nível de exigência da mensagem. A música pop podia ser tão perigosa e desafiadora quanto palatável e simples.
Recriar discursos não tem valor algum. Quem vive no passado não terá futuro.
Enfim, “não se comprometer”, no caso, é não jogar sempre pela regra. Não virar escravo e não deixar de contribuir com sua própria interpretação das coisas. Ao que me parece, é o que mais falta na indústria musical.
Diria alguém que leu tudo isso: “Ah, pára…” e vou concordar. Teorizar em cima disso é perda de tempo e exercício tolo de exibicionismo arrogante. É que hoje eu estou numas de filósofo de quatro e meia da manhã.